Novena a Nossa Senhora das Dores: Como Rezar, Passagens e História
Aprenda a rezar a Novena a Nossa Senhora das Dores com roteiro completo dos 9 dias, passagens bíblicas das Sete Dores e a história desta devoção mariana
ARTIGOSSANTOS
CatolicoHoje - Pe. Xavier
9/4/20267 min ler


Novena a Nossa Senhora das Dores
Hino a Nossa senhora das Dores
Queridos irmãos e amigos do Católico Hoje,
Ao longo de nossas vidas, todos nós enfrentamos momentos de dor, incerteza, luto ou aflição interior. Nestas horas, para onde devemos olhar? A Igreja sempre nos ensinou a recorrer à Mãe de Deus, que esteve de pé junto à Cruz de seu Filho Jesus.
Nossa Senhora das Dores (Mater Dolorosa) conhece profundamente o sofrimento humano. Ela não fugiu da dor, mas transfigurou o seu sofrimento em amor e obediência à vontade do Pai.
Convidamos você a rezar conosco esta Novena a Nossa Senhora das Dores, meditando os mistérios da Paixão do Senhor sob o olhar maternal da Virgem Maria. Compartilhe este artigo com seus amigos, familiares e grupos de oração para estarmos unidos neste itinerário de fé e consolo.
Como Rezar a Novena
Esta novena pode ser feita durante nove dias consecutivos (especialmente no período que antecede o dia 15 de setembro, Dia de Nossa Senhora das Dores, ou em qualquer momento de aflição e busca por espiritualidade).
Estrutura Diária das Orações
Sinal da Cruz:
Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ato de Contrição:
“Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois e porque vos amo sobre todas as coisas, pesa-me de todo o coração de vos ter ofendido. Proponho firmemente nunca mais pecar e confessar-me a tempo. Amém.”
Oração Inicial para Todos os Dias:
“Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe das Dores, que permanecestes firme junto à Cruz de Jesus, unindo as vossas dores às dEle, olhai para as minhas aflições. Alcançai-me da misericórdia divina a coragem para carregar minhas cruzes de cada dia com fé e esperança. Amém.”
Meditação Bíblica do Dia (Leitura e reflexão das passagens abaixo).
Orações Vocais:
1 Pai-Nosso
7 Ave-Marias (uma em honra a cada uma das Sete Dores de Maria)
1 Glória ao Pai
Oração Final e Pedido da Novena (Ao término do artigo).
Roteiro dos 9 Dias da Novena
Dia 1: A Profecia de Simeão
Passagem Bíblica: “Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: ‘Eis que este menino foi colocado para a queda e para o erguimento de muitos em Israel e para ser um sinal de contradição — e a ti mesma, uma espada transpassará a tua alma —, a fim de que se revelem os pensamentos de muitos corações.’” (Lucas 2, 34-35)
Meditação: Maria acolhe a profecia com fé, sabendo que a missão de seu Filho exigiria sacrifício. Pedimos a graça de aceitar os mistérios e desígnios de Deus, mesmo quando não os compreendemos de imediato.
Dia 2: A Fuga para o Egito
Passagem Bíblica: “Um anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e fica lá até que eu te avise; porque Herodes vai procurar o menino para o matar.’” (Mateus 2, 13)
Meditação: Maria vivencia a dor do exílio e da perseguição logo no início da vida de Jesus. Pedimos por todas as famílias que sofrem o desterro, a violência ou a falta de um lar.
Dia 3: A Perda do Menino Jesus no Templo
Passagem Bíblica: “Sua mãe disse-lhe: ‘Filho, por que fizeste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos!’ Ele respondeu-lhes: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?’” (Lucas 2, 48-49)
Meditação: Maria sente a angústia de estar separada de Jesus por três dias. Pedimos a graça de nunca nos afastar da presença de Deus e a perseverança para buscá-Lo sempre.
Dia 4: O Encontro no Caminho do Calvário
Passagem Bíblica: “Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam. Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: ‘Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos.’” (Lucas 23, 27-28)
Meditação: No caminho da Via-Sacra, Maria cruza o olhar com o de seu Filho flagelado e carregando a Cruz. Pedimos a coragem de consolar aqueles que sofrem ao nosso redor.
Dia 5: A Crucificação e Morte de Jesus
Passagem Bíblica: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’” (João 19, 25-27)
Meditação: Ao pé da Cruz, Maria presencia a agonia de Cristo e é dada como Mãe de toda a humanidade na pessoa do discípulo João. Entregamos nossa vida à sua proteção maternal.
Dia 6: A Descida da Cruz (A Pietà)
Passagem Bíblica: “José de Arimateia foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhes fosse entregue. José tomou o corpo, envolveu-o num pano de linho limpo...” (Mateus 27, 57-59)
Meditação: Maria recebe em seus braços o corpo sem vida de seu Filho adorado. Pedimos o consolo de Maria para todas as mães e pais que choram a perda de seus filhos.
Dia 7: O Sepultamento de Jesus
Passagem Bíblica: “Desceu-o da cruz, envolveu-o num lençol e colocou-o num sepulcro escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado. [...] As mulheres viram o sepulcro e como o corpo fora ali colocado.” (Lucas 23, 53-55)
Meditação: Diante da pedra que fecha o sepulcro, Maria vive a dor do silêncio e da separação física. Pedimos a virtude da esperança para atravessar os momentos de aparente escuridão.
Dia 8: A Solidão de Maria e a Firmeza da Fé
Passagem Bíblica: “Ela está de pé, junto à Cruz, na certeza das promessas divinas.” (cf. João 19, 25)
Meditação: No Sábado Santo, enquanto os discípulos estavam dispersos pelo medo, a fé de Maria permaneceu inabalável. Pedimos a graça de manter nossa fé firme mesmo quando tudo ao redor parecer desmoronar.
Dia 9: A Esperança na Ressurreição
Passagem Bíblica: “Por que buscais entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou!” (Lucas 24, 5-6)
Meditação: A dor de Maria não foi em vão; ela antecipa a alegria da vitória sobre a morte. Entregamos nossas intenções a Deus com a certeza de que a Cruz abriu o caminho para a Ressurreição.
Oração de Encerramento da Novena
“Ó Doce Mãe e Virgem das Dores,
Apresento a vós o meu coração ferido e minhas intenções particulares (coloque aqui a sua intenção especial).
Pelos méritos de vossos sofrimentos ao pé da Cruz, alcançai-me do vosso Divino Filho a graça que humildemente vos peço.
Ensinai-me a sofrer com paciência, a amar com generosidade e a jamais perder a esperança.
Nossa Senhora das Dores, rogai por nós! Amém.”
A Origem e a História da Devoção a Nossa Senhora das Dores
Para compreender o alcance espiritual dessa devoção tão querida pelo povo católico, é preciso olhar para as suas raízes bíblicas e históricas.
As Raízes Bíblicas e Monásticas
A devoção às dores de Maria nasce no próprio Evangelho, quando o idoso Simeão profetiza no Templo que uma "espada transpassará a tua alma" (Lc 2, 35). Desde os primeiros séculos da Igreja, teólogos e Santos refletiam sobre a íntima compaixão da Virgem Maria pela Paixão do seu Filho.
A partir do final do século XI e durante a Idade Média, ordens monásticas como os Beneditinos e Cistercienses impulsionaram a meditação afetiva sobre os sofrimentos da Mãe ao lado da Cruz. Foi nesse período que nasceu o célebre hino medieval Stabat Mater Dolorosa ("Estava a Mãe Dolorosa"), atribuído ao franciscano Jacopone da Todi, que descreve com comovente poesia a dor da Mãe ao contemplar Jesus crucificado.
A Ordem dos Servitas e a Expansão do Culto
Em 1233, nobreza e leigos em Florença uniram-se para fundar a Ordem dos Servos de Maria (Servitas). Esta congregação adotou como missão principal a propagação da compaixão e da devoção às Sete Dores de Nossa Senhora. Foi através do zelo dos Servitas que a prática da meditação das Sete Dores se espalhou por toda a Europa.
Instituição Litúrgica na Igreja Universal
A festa dedicada às Dores de Nossa Senhora passou por vários estágios no calendário litúrgico:
Século XVII: Em 1668, os Servitas obtiveram autorização para celebrar a missa das Sete Dores de Maria.
Papa Pio VII (1814): Após retornar do cativeiro imposto por Napoleão Bonaparte, o Papa Pio VII estendeu a celebração de Nossa Senhora das Dores a toda a Igreja Universal em sinal de gratidão à intercessão da Virgem Santíssima.
São Pio X (1913): O Papa São Pio X fixou definitivamente a data da memória litúrgica em 15 de setembro, logo no dia seguinte à Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro). A intenção da Igreja é mostrar que a dor de Maria está inseparavelmente unida ao mistério do Sacrifício da Cruz.
A Iconografia: As Espadas e a Pietà
Na arte sacra católica, Nossa Senhora das Dores é representada com elementos profundamente simbólicos:
As Sete Espadas: Um coração transpassado por sete espadas (ou por uma única espada), representando cada um dos sete episódios marcantes de sofrimento narrados nos Evangelhos.
A Pietà: A imagem clássica de Maria com o Filho morto nos braços ao ser descido da Cruz — imortalizada na famosa escultura de Michelangelo — que traduz a mais pura expressão de amor, dor e resignação.
Que tal rezarmos juntos?
Acompanhe os nove dias da novena em nosso blog Católico Hoje e compartilhe este texto nas suas redes sociais e no WhatsApp com seus amigos e grupos de oração. Que Nossa Senhora das Dores abençoe as nossas famílias e nos conduza sempre ao coração de Cristo!

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