Evangelho do Dia Comentado: Jo 11,19-27 – Marta, Maria e Lázaro: A Fé que Vence a Morte | Quarta-feira, 29 de Julho de 2026
Na casa de Betânia, Marta proclama Jesus como o Cristo. Com os santos Marta, Maria e Lázaro, aprenda a unir serviço, contemplação e esperança na ressurreição.
EVANGELHO DO DIA COMENTADO
catolicohoje - Pe. Xavier
7/29/20265 min ler


Evangelho de Jesus Cristo segundo João 11,19-27
Naquele tempo, muitos judeus tinham ido ter com Marta e Maria, para as consolarem por causa do irmão. Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas sei que, ainda agora, tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá”. Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. Disse Marta: “Sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia”. Declarou-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Acreditas nisto?” Ela respondeu: “Sim, Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”.
Os três irmãos de Betânia: uma casa que o Céu visitava
Hoje a Igreja celebra pela primeira vez, com o grau de Memória, os três irmãos de Betânia: Marta, Maria e Lázaro. O Papa Francisco, em 2021, estendeu à Igreja universal esta celebração que antes era restrita a alguns calendários particulares, reconhecendo a importância dessa família na vida de Jesus e na tradição cristã.
Betânia era uma pequena aldeia a cerca de três quilômetros de Jerusalém, no sopé do Monte das Oliveiras. Ali viviam Marta, Maria e Lázaro. Não eram apóstolos, não eram sacerdotes, não tinham cargos na sinagoga. Eram uma família comum, mas tinham algo que os tornava únicos: eram amigos de Jesus. O Evangelho de João é explícito: “Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro” (Jo 11,5). A casa deles era o refúgio onde o Mestre descansava depois das jornadas extenuantes em Jerusalém. Era a antecipação da Igreja doméstica, onde serviço, contemplação e amizade com Deus se entrelaçavam.
A tradição narra que, após a perseguição em Jerusalém, os três irmãos teriam sido colocados num barco sem velas nem remos, junto com outros discípulos, e milagrosamente aportaram na costa da Provença, no sul da França. Lázaro teria se tornado bispo de Marselha, Marta teria domado um dragão — o Tarasque — em Tarascon, e Maria teria se dedicado à contemplação na gruta de Sainte-Baume. Embora essas tradições pertençam mais à piedade popular que à história documentada, elas testemunham a profunda veneração que a Igreja sempre nutriu por essa família santa.
O luto, o encontro e o diálogo que salva
O Evangelho de hoje se situa no momento mais dramático da vida dessa família. Lázaro morrera, e o luto já durava quatro dias. A casa estava cheia de judeus que vieram consolar as irmãs. É nesse contexto de dor e pranto que Jesus chega. Marta, ao saber que Ele se aproxima, sai ao seu encontro. Maria permanece sentada em casa. As duas atitudes já esboçam os temperamentos que Lucas nos apresenta: Marta, a ativa, a mulher do serviço e da iniciativa; Maria, a contemplativa, a que se senta aos pés do Mestre para ouvi-lo (cf. Lc 10,38-42). Nenhuma das duas atitudes é errada; ambas são dimensões da vida cristã.
Marta, com a franqueza de quem é amiga íntima, desabafa: “Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido”. Não é uma acusação; é uma declaração de fé misturada com dor. É a oração do que crê, mas não entende; do que confia, mas sofre. Ela não pede explicitamente a ressurreição de Lázaro — talvez não ousasse tanto —, mas deixa a porta aberta: “Sei que, ainda agora, tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá”.
A confissão de Marta: o ápice da fé
Jesus conduz Marta numa subida teológica. Primeiro, uma promessa geral: “Teu irmão ressuscitará”. Marta responde com a ortodoxia farisaica: “Sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia”. É uma fé verdadeira, mas ainda distante, abstrata. Então Jesus a traz para o presente, para a pessoa d'Ele: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá”.
É a quinta grande revelação do “Eu sou” no Evangelho de João. Jesus não diz “eu trago a ressurreição”, mas “eu sou a ressurreição”. A ressurreição não é apenas um evento futuro; é uma Pessoa que está diante de Marta, naquele instante, no meio do luto. Crer n'Ele é já participar da vida que a morte física não pode destruir. A pergunta final — “Acreditas nisto?” — é dirigida a Marta e, através dela, a cada um de nós.
Marta responde com uma confissão de fé que nada fica a dever à de Pedro em Cesareia de Filipe: “Sim, Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”. É espantoso que essa confissão saia dos lábios de uma mulher leiga, numa cultura que desvalorizava o testemunho feminino, e no meio de uma crise de luto, não num cenáculo iluminado. Marta é a padroeira dos que creem no escuro, dos que confessam a fé mesmo quando Deus parece ter chegado tarde demais.
Marta, Maria e Lázaro: a santidade na casa comum
A celebração de hoje nos recorda que a santidade não está reservada aos claustros. Uma casa, com seu serviço (Marta), sua oração (Maria) e sua amizade com Jesus (Lázaro), pode ser um santuário. A vida cristã precisa das três dimensões: o trabalho que acolhe, a contemplação que escuta, a amizade que restaura. Não são dimensões rivais; são complementares.
Lázaro, o amigo ressuscitado, é o testemunho vivo de que Jesus tem poder sobre a morte. A tradição diz que, depois de ressuscitado, ele viveu ainda muitos anos como bispo, pregando o Evangelho. Sua vida se tornou um sermão silencioso: muitos creram em Jesus só de vê-lo, porque ele era uma prova ambulante da divindade de Cristo. Cada um de nós, resgatado do túmulo do pecado pelo Batismo, é chamado a ser um Lázaro moderno: alguém que, com a própria existência, prega a ressurreição.
A seguir , fique com o video musical com 5 belas canções de coral:
Breve Oração ou Propósito Prático
Santos Marta, Maria e Lázaro, amigos do Senhor, ensinai-nos a fazer da nossa casa uma Betânia onde Jesus encontre descanso. Intercedei por nós para que, como Marta, saibamos servir com diligência; como Maria, escutar com atenção; e como Lázaro, testemunhar com a própria vida que Jesus é a ressurreição. Hoje, em família, faremos uma breve oração, agradecendo a Deus o dom do lar e pedindo a graça de viver em amizade com Jesus. Amém.

Católico Hoje
Um espaço de formação, música e espiritualidade para a família cristã. Uma jornada de fé inspirada na sabedoria dos santos
Contact
Newsletter
© 2026. Todos os direitos reservados